QUEM SÃO OS ESTUDANTES FINANCIADOS PELO FIES?

Luiza Vinhote tem 22 anos e é jornalista. Katharine de Arruda tem 23 e ainda estuda Psicologia. A primeira mora em Taguatinga, no Distrito Federal. A outra, a 32 km dali, em Santa Maria. Apesar dessas diferenças, elas compartilham pelo menos um fato em comum: ambas foram beneficiadas pelo Fundo de Financiamento Estudantil. Entre os estudantes com acesso ao FIES, a maioria é mulher, com idade entre 18 e 24 anos e renda familiar de até um salário mínimo por pessoa.

“Se não fosse pelo Fies, eu não conseguiria ingressar na faculdade. É uma oportunidade, antes só ingressava na universidade quem tinha condições. Hoje, pessoas de classes mais humildes têm essa oportunidade”, diz Katharine, que conseguiu financiar 100% do curso.

“Meu financiamento do Fies foi de 50%. Então, foi uma grande ajuda pagar só metade da minha faculdade. Caso eu não fosse financiada pelo Fies, eu acho que meus pais dariam conta de pagar a faculdade, mas eu não teria condições de investir em outras áreas, como em um curso de inglês”, conta Ana.

Perfil dos estudantes

De acordo com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), entre 2010 e 2017, o programa financiou 2.567.801 estudantes. Desse total, 1,5 milhão (59%) de contratos foram firmados por mulheres. Em relação à renda, são 1,2 milhão (47%) de estudantes que recebiam no máximo um salário mínimo. Por idade, o levantamento revela que 1,4 milhão (56%) de pessoas entre 18 e 24 anos foram beneficiadas.

Os estudantes que ganhavam até meio salário mínimo também estão entre os que mais realizaram uma graduação com o Fies e totalizam 776 mil pessoas (30%). Esses dados, na avaliação do diretor de Políticas e Programas de Educação Superior do Ministério da Educação, Vicente Almeida Júnior, confirmam que o programa contribui para facilitar o acesso ao ensino superior. “O sistema brasileiro de educação superior está concentrado no setor privado, mais que no setor público. Então, é importante que o Ministério da Educação crie mecanismos para que os estudantes acessem essas instituições privadas.”

Ainda de acordo com o FNDE, o curso mais financiado em todo o Brasil no período foi direito, com 367.557 contratos. O segundo colocado varia conforme a região, como mostra o infográfico. Para a especialista em educação superior e professora aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Ângela Costa, a preferência por cursos tradicionais deve ser vista com cautela. “O aluno ainda associa cursos como direito, medicina e engenharia à garantia de sucesso profissional. No entanto, isso nem sempre ocorre. É preciso se atentar e procurar mais orientações na hora de fazer essa escolha.”

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