PROJETO QUE PRETENDE TORNAR CUCA E PÃO ALEMÃO PATRIMÔNIO DA CIDADE SERÁ APRESENTADO AO CONSELHO DE CULTURA

Os mais de dois mil colonos germânicos que chegaram a Petrópolis a partir de 1845 trouxeram com eles não só a força de trabalho para ajudar a construir a cidade, como também as tradições do povo alemão. Uma das influências mais marcantes, presentes até hoje nas casas dos petropolitanos, é a gastronomia – com destaque para a cuca e o pão alemão. Agora, um projeto criado pelo segmento germânico na cidade, que inclui três entidades ligadas aos descendentes alemãs, pretende tornar as duas receitas patrimônios imateriais de Petrópolis. O projeto, que já conta com o apoio do Conselho Municipal de Turismo e outras associações, será apresentado ao Conselho Municipal de Cultura.

Assim como o acarajé na Bahia, a cajuína no Piauí, a produção de queijo artesanal em Minas Gerais, entre diversas outras, as comidas típicas preservam sabores históricos, que ajudaram a formar a identidade regional de cada pedacinho do país. O tombamento da cuca e do pão alemão em Petrópolis tem como objetivo, além de preservar as receitas, aumentar os atrativos turísticos do município e ainda fomentar o desenvolvimento econômico estimulando pequenos produtores, como descendentes, que hoje ajudam a manter vivas as tradições dos colonos com a venda de produtos caseiros.

A descendente alemã Fátima Bürger é uma das entusiastas do projeto. “Tenho lembranças da infância de comer a cuca com a família. Minhas tias sempre faziam em ocasiões especiais ou aos domingos. E cinco anos atrás, eu decidi fazer um curso de confeitaria e comecei a desenvolver e testar novas receitas. Hoje faço as cucas para vender em eventos. Os turistas adoram e eu acabo contando um pouco da história da colonização da cidade através dos bolos”, destaca ela, lembrando que já levou as cucas para eventos até fora da cidade, como para Juiz de Fora (MG), Miguel Pereira e Paraíba do Sul, o que ajuda também a divulgar o município.

O projeto de tornar as receitas patrimônios da cidade é uma iniciativa do segmento germânico, que inclui o Clube 29 de Junho, a Associação dos Grupos Folclóricos Alemãs de Petrópolis – AGFAP e o Instituto Bingen. Eles já apresentaram a proposta ao Comtur, que está apoiando a iniciativa. “É um projeto muito positivo para a cidade, que não só resgata e mantém essa tradição germânica, como também fomenta o turismo”, destaca o presidente do Conselho, Marcelo Florêncio.

“O turista que visita Petrópolis gosta de vivenciar a cultura da cidade, de provar os nossos produtos. Eles ficam entusiasmados quando têm acesso à produção local. É uma forma de conquistar o visitante”, completa o secretário da Turispetro, Marcelo Valente.

O projeto traz receitas tradicionais da cuca e do pão alemão. No caso do bolo, que leva farinha de trigo, açúcar, ovo, manteiga, fermento e sal, o receio foi adaptado com frutas típicas do Brasil. Enquanto na Alemanha ele era feito com cereja, maçã, entre outras, em Petrópolis novas ideias surgiram utilizando a banana e o coco, por exemplo. Já o pão, muitas famílias mantém exatamente a mesma tradição com a receita que leva farinha de trigo, banha, açúcar, sal, fermento e água.

“Quando eu chego em casa e sinto o cheio do pão ou da cuca quentinha já logo remeto às lembranças de criança, quando minha avó e tias faziam as receitas no fogão a lenha. Pros descendentes essa é uma tradição muito presente. Estamos buscando apoio de diversas entidades para reforçar a importância do projeto”, frisa o diretor do Clube 29 de Junho, Renato Winter. “Essa é uma tradição desde a época da colonização e, com certeza, precisa ser preservada. Na minha família, minha mãe fazia o pão, por exemplo, toda semana. Fazia pra semana toda”, completa a presidente do Clube, Emygdia Hoelz.

A ideia do segmento é conseguir apoio de diversos órgãos, como os conselhos, para que emitam cartas de apoio institucional a fim de que seja registrado em Livro Tombo do Patrimônio Cultural de Petrópolis, conforme previsto no parágrafo 3.º do artigo 8º da Lei 7251 de 12/11/2014 dos Bens Imateriais, a cuca (Kuchen) e o pão alemão (Deutches Brot) como Patrimônios Imateriais da cidade.

A lei prevê que qualquer do povo, mediante requerimento dirigido ao Conselho Municipal de Cultura, poderá instaurar processo de indicação de tombamento. É considerado “patrimônio cultural imaterial” as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural, que se transmite de geração em geração.

Bauernfest teve concurso da melhor cuca

Nas últimas edições da Bauernfest, a Festa do Colono Alemão, foram realizados concursos para escolher a melhor cuca da festa com o objetivo de também preservar a tradição das receitas na cidade. Nas duas edições, descendentes de colonos alemãs foram as vencedoras. Os candidatos passaram por avaliações gustativas, quando foram analisados critérios como: corte; textura e sabor da massa; textura e sabor do recheio; equilíbrio e harmonia entre os sabores; além do respeito às origens da receita.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s