COMISSÃO APRESENTARÁ PROJETO DE LEI PARA EVITAR QUE SEJA CONSTRUÍDO UM AUTÓDROMO NA FLORESTA DO CAMBOATÁ

A Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) apresentará um projeto de lei para incluir a Floresta do Camboatá, localizada em Deodoro, na Zona Norte, na área de preservação ambiental do Parque Estadual do Mendanha. O objetivo é evitar que esta reserva de Mata Atlântica, uma das poucas remanescentes no município do Rio, tenha parte dos seus 169 hectares removidos para construção de um autódromo. A preservação da floresta foi discutida em audiência pública realizada nesta sexta-feira (21/09).

Segundo pesquisas realizadas pelo Instituto Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a Floresta do Camboatá possui pelo menos 22 espécies de plantas nativas da Mata Atlântica, incluindo exemplares raros ou ameaçados de extinção, como o jacarandá-da-bahia e a garapa. A área é um dos poucos espaços verdes da cidade localizado em região não montanhosa. “As florestas baixas praticamente desapareceram do município do Rio de Janeiro. Essa é uma área singular que sobreviveu no meio do cimento na Zona Norte”, explica o biólogo Haroldo Cavalcanti de Lima.

Histórico

O espaço da Floresta do Camboatá é propriedade do Exército. Segundo o general José Daniel Braga, do Comando Militar do Leste, o terreno foi cedido ao município do Rio após a desativação do Autódromo de Jacarepaguá para a construção do Parque Olímpico da Barra, em 2012. “O Exército cedeu essa área, mas ainda não foi concluído o Acordo de Cooperação Técnica e Financeira que viabiliza a cessão. O projeto do autódromo não é do Exército, é da prefeitura”, explicou.

Uma ação civil pública que tramita no Ministério Público Federal (MPF) tenta impedir a execução do projeto. A medida exige a realização de estudos de impacto ambiental que, segundo a procuradora da República Solange Braga, não foram realizados. “Precisamos dessas pesquisas, que podem apontar outros locais mais apropriados à construção do autódromo, com menos danos à natureza”, justifica. A decisão judicial sai ainda esse mês.

Para Marina Bernardes, que mora próximo ao local, a derrubada das árvores prejudicaria a saúde dos habitantes, já que a floresta ajuda a controlar a temperatura da região. “Aquela área de Deodoro já foi muito desmatada. De uns anos para cá, aumentou muito a zona de calor. A gente não quer que cortem mais nenhuma árvore”, argumenta.

Também estiveram presentes na audiência Abílio Tozini, da Comissão de Meio Ambiente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), e Antônio Leite dos Santos Filho, do Departamento de Infraestrutura do Ministério de Esportes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s